Na segunda metade do século XIX, o extraordinário desenvolvimento
da cultura cafeeira trouxe consigo a prosperidade econômica da cidade
de São Paulo. Os fazendeiros de café construíram residências
temporárias na Capital, pois era nela que podiam manter os contatos
necessários com negociantes e exportadores de café. O café
impulsionou a atividade econômica e financeira em todos os segmentos
da vida social. Fundaram-se sociedades de estrada de ferro, companhias de
imigração e colonização e empresas de capital
aberto.
No últimos tempos do regime monárquico, iniciou-se a imigração
em massa de trabalhadores europeus para a lavoura cafeeira, o que tornou
a cidade de São Paulo o centro da mão-de-obra. Para abrigar
temporariamente esses estrangeiros, foi fundada a Hospedaria de Imigrantes,
pelo Visconde de Parnaíba.
Com a vitória do movimento republicano em 1889, intensificou-se a
imigração aumentando, assim, ainda mais, a população
paulistana. Surgiram os primeiros surtos de industrialização
que expandiu mais a cidade e incorporou nesse processo os bairros mais próximos
e repercutiu até nos mais distantes. O bairro de São Miguel
Paulista obteve, como conseqüência disso, a sua elevação
para a categoria de distrito, através do Decreto nº 170, de
16 de maio de 1891.
No início deste século, o trabalho das olarias em São
Miguel, que não era uma atividade nova na região, multiplicou-se
enormemente em função do crescimento urbano da cidade que
demandava cada vez mais materiais de alvenaria. Além de tijolos,
São Miguel proporcionava à cidade pedregulho, e areia extraída
do Rio Tietê. Foi pelo curso desse rio que se escoavam esses produtos
demandados pelo centro consumidor.
Se a navegação fluvial, através do Rio Tietê,
propiciava o escoamento da carga, o mesmo não se dava com o transporte
humano, que continuava impraticável. O afluxo de novos moradores
ao bairro, para trabalhar nas olarias, agravou ainda mais esse problema.
Os cavalos de sela e as charretes não eram eficientes em face da
permanente necessidade de locomoção dos habitantes para a
região da Capela Velha, em cujo largo fundava-se, aos poucos, um
centro comercial. O transporte para a cidade era muito mais difícil
e efetuava-se pela estrada de ferro. Apanhava-se o trem em Itaquera ou Lajeado,
ou pelo caminho da Penha e completava-se o percurso em bondes elétricos.
Texto elaborado pelo Prof. Avelar Cezar Imamura - professor
do curso de História - UNICSUL
http://200.136.79.4/Museu_Virtual